sábado, 10 de maio de 2008

Aurora

Ele andou à noite inteira e parou em um lugar comum. Continou em pé como se algo o forçasse a não se curvar. Ficou ali por mil anos ou por um instante. A brisa formou-se em uma pequena gota e percorreu por toda a folha verde e sobre sua face encontrou-se à ponta de seu nariz - a sensação foi parecida com a de uma teia de aranha na pele. Deu a impressão de que iria mexer sua mão, mas nada fez. Lembrou-se de ter caminhado à noite inteira, mas não se sentia cansado, apenas uma leve comoção passou por ele vindo do lado sul. Já estava quase amanhecendo, o céu estava quase azul outra vez. Deu um passo a frente e sentiu a areia nos pés descalços e molhados por causa da aragem. Olhou distante, bem distante e quanto mais esforço fazia menos conseguia enxergar o fim. Era a aurora e neste exato momento deu-se conta de que era muito menor que o mar.

2 comentários:

Déa disse...

Às vezes, quase sempre, é assustador [re]descobrir que não somos donos do tempo e do espaço.
Bom início de semana!
Um beijo

Rê disse...

...Ou que somos detalhes, somos ínfimos, somos ridículos diante da grandiosidade da natureza!

(completando o comentário da Déa!)