terça-feira, 17 de junho de 2008

A Caixa de Pandora

De acordo com a mitologia grega existia uma caixa inacessível a qualquer pessoa. Somente através desta caixa chamada "Caixa de Pandora" os deuses poderiam ser destruídos. Intensionamente gostaria de fazer uma analogia da Caixa de Pandora com um outra inusitada caixa. Na península grega, mais ou menos no século V a.C, surgiu um grupo de indivíduis nada comum, eles eram barbudos, não se vestiam bem, e eram acessiveis à todos porém aceitos somente por alguns. Esses filósofos gregos levavam consigo uma caixa, que eles próprios denominaram de a "caixa da razão". Nunca deixavam pertubar-se pelas consequências psicolígicas e materiais de uma posição humilde que viviam na sociedade. Ao contrário, permaneciam sempre calmos diante de quaisquer insultos . Este novo elemento que a filosofia introduziu, ou seja, a razão, pode ser visualizada como uma caixa de percepção. Onde as opniões públicas, sejam elas positivas ou negativas, devem ser filtratas pela razão antes de serem dirigidas à auto-imagem, à consciência. Era através dessa razão que Sócrates, Marco Aurélio e outros, podiam visualizar se a opnião alheia era fundamentada de uma lógica. Os próprios filosofos recomendavam, caso fossemos tratatos com injustiça pela sociedade, que não nos pertubássemos mais com o julgamento do que faríamos se tivéssemos sido abordados por um louco com a intenção de provar que dois mais dois são cinco. E é essa razão que deve bloquear o pensamento de que ‘o que os outros pensam de nós deve determinar o que pensamos de nós mesmos.’
Somente através da Caixa de Pandora é que os deuses gregos poderiam ser destruídos; seja a razão a nossa Caixa de Pandora com relação ao que os outros pensam de nós e ao que possuimos. Nosso ser, nossa imagem, nossa casa, nossos moveis, nosso caracter, nossa vida, talvez na concepção dos outros essas coisas não têm valor algum. Mas podemos usar a caixa da razão como Diógenes usou:
Quando Alexandre, o Grande, passou por Corintio, visitou o filósofo Diógenes e o encontrou sentado sob uma árvore, vestido com trapos, sem nenhum dinheiro. Alexandre, o homem mais poderoso do mundo, perguntou se ele podia fazer alguma coisa para ajudá-lo. “Sim”, respondeu o filósofo, “se puder, saia do caminho. Está bloqueando a luz.” Os soldados de Alexandre ficaram horrorizados, esperando um surto da famosa ira de seu comandante. Mas Alexandre limitou-se a rir e lembrou que, se ele não fosse Alexandre, certamente gostaria de ser Diógenes.
O que importa não é o que parecemos à um grupo aleatório, mas o que sabemos que somos. Nas palavras de Shopenhauer:”Toda reprovação só pode ferir se atnge o alvo. Quem quer que realmente saiba que não merece uma reprovação pode tratá-la e a tratará com desprezo.”

Um comentário:

Rê F. disse...

Nossa, perfeito! Passamos tanto tempo tentando nos tornar "aceitáveis" aos olhos dos outros, e muitas vezes nos tornamos "incompletos" para nós mesmos. Demorou, mas postou um belo pensamento!

Beijos