segunda-feira, 23 de junho de 2008

Quase Uma Oração

Sabe, estou á frente do espelho e seus raios lançados sobre mim me causam náuseas. Já o quebrei uma vez e sob ele havia outro. Pensei se devia suportá-lo, achei que não...achei certo. Quebrei-o. Os cacos cairam todos pelo chão, com minha cabeça baixa olhei um por um, entrevendo o reflexo de meu rosto nas lâminas de cristal. A insegurança apoderou-se de mim, pois não queria acreditar que poderia mais uma vez existir outro espelho. Olhei. Desacreditei. Sofri. Avistei mais uma vez minha face. Será que me resta mais alguma chance? Por duas vezes o quebrei e ambas me trouxeram novamente o reflexo do meu rosto e da dor refletida. Devo quebrá-lo? Devo eu arriscar encontrar outro espelho abaixo deste? Ou aprender a reconhecer este rosto e conviver com a dor refletida? Objeto à mão, pronto a atirar contra aquilo que me voltou tantas e tantas vezes e agora mais uma vez persite em ficar. Queria não acreditar que pode haver outro espelho. Queria acreditar que jamais precisarei passar a enfrentar sua imagem outra vez. Queria acreditar e inflizmente acredito que jamais irá embora.

3 comentários:

Déa disse...

Concordo com a máxima sartreana que diz que o inferno são os outros... inclusive os outros de nós mesmos.
Um beijo!

Rê F. disse...

Meu caro... espelhos podem trazer a tona dores insuportáveis, bem o sei! Jamais irão embora? Pode ao menos amenizá-las... acredite!

Beijos

Lacunas disse...

Olhar-se de dentro para fora antes de fora para dentro...