sexta-feira, 25 de julho de 2008

A Vida Vive Até Sua Morte

Sombras e lamentos. Caminhos estreitos e apertados, no entanto a única via, a única e solitária passagem. Solta, a vida corre e flutua, e por cima do muro ela dá seus pulos e reclamações. Soa suave e solene, fria e seca. Sem muitas razões a vida vive, a vida sofre, a vida anda a esmo. Caminha quase sempre em frente, quase sempre sem avaliar e medir os pesos. Pra alguns, ela significa muito, mas muito pouco mesmo; já à outros ela é demasiadamente importante e necessária. Ambos, equivocados? Talvez. Deve-se se estar além da vida, além do fôlego, além do pó e somente dessa maneira compreenderá-se-a o mínimo possível a respeito deste monstro que nos devora dia a dia. Dessa fome de viver e de morrer.
(...)
As palavras são um meio muito ingênuo e simplório para através delas explicar algo que está além do bem e do mal, como diria meu caro e filósofo Nietzsche. São elas um meio estreitamente sagaz e desprovido, apenas um meio de comunicação, ao invés de códigos de barra, não há nelas esclarecimentoalgum...são um meio e não o fim ou ínicio. Há nela tantos e tantos mistérios, nem se fossêmos deuses saberíamos interpretar suas causas e efeitos, suas vertigens e loucuras, sua lucidez e sabedoria. A vida vive! Até que, ao encontro dela se mostre sua infinita explicação: A morte manifesta-se numa manhã ou numa tarde de sol ou numa noite qualquer. Não há outdoors, não há aviso, nenhum tipo de alarde se quer. A morte é o verdadeiro amor da vida, ambas jamais viverão separadas, jamais se odiaram, jamais irão cada uma para seu lado e tornando as costas uma a outra. Ela vem como a vida veio, suave, contente e bela. Nos sorri, porém um sorriso sincero. Ela não é escura como pensam, ela é brilhante, forte. Senta-se ao nosso lado e de nós quer apenas nossa amizade, nosso corpo, nossos cabelos dourados, nossas mãos, nosso sorriso, todavia jamais quererá nossa alma. Seus braços são confortáveis e longos, seus carinhos só perdem para os da vida que nos deu enquanto vivíamos. Sua voz é um tanto roca, mas não há maldade em seus olhos. Ao nos olhar ela reconhece a tudo quanto a vida nos fez e assim podemos entender porque seu olhar é triste e calmo, pois a vida muitas vezes faz coisas que a morte não pode conciliar. Ambas, vida e morte, tem sua filosofia própria a respeito da vida, a respeito do espírito...ambas respeitam-se em suas opniões. A morte quer bem a vida e a vida bem a morte. São tão apaixonadas que quando se encontram acabam causando um certo descontrole e um estrago irreversível ao ser humano. A vida e a morte nos leva tudo, mas nos deixa um detalhezinho: aprender através da alma a sorrir e a chorar.

Um comentário:

Rê F. disse...

Gostei bastante... gostei da analogia da vida e da morte, como amantes! (se é que entendi! ando insegura com minha interpretação de texto!)

Há muitos mistérios, mistérios nem sempre devem ser resolvidos! Podíamos viver nossas vidas, sem pensar tanto no porquê vivemos!

Beijos